segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

pontos

Todo começa por um ponto.
Depois vem as linhas.
E as superficies.
E com elas construimos o mundo.

Então nós vemos o mundo.
E tocamos o mundo.

Tocamos a maciez da pele num abraço.
E descobrimos a amizade.
Tocamos a docura dos labios em um beijo.
E descobrimos o amor.
Tocamos o frio de um travesseiro molhado.
E descobrimos a saudade.

E vamos vendo, tocando e descobrindo.
E tudo acaba com um ponto.

?

De inicio tente não julgá-la.
Ela não é boa nem má.
Não é culpada nem inocente, apesar de suas mãos estarem presas.
Não se sabe se é o juízo dos outros que a fizeram bruxa, ou se ela está a caminho do castigo merecido. Ou se ainda suas mãos estão atadas diante de uma situação que ela -sendo só ela- não pode mudar.
Mas já a condenastes (aposto) quando, por detrás da tristeza azul de seus olhos, percebestes a ira de seus vermelhos. E não fizestes mal. Ela também é feita de sentimentos mesquinhos que diferem as mulheres dos anjos.
Mas olhe melhor. Não é só disso que ela é feita.
Se reparares bem há um coração escondido.
Então há também amor.
E ouso a dizer que muito amor, pois ele sangra.
E há também desejo, pois também somos carne.
Ela é confusa e estranha, mas ainda assim, por um motivo qualquer, ela me convidou a contempla-la.
A historia dela, seu passado e seus amores, eu desconheço.
Porém quando ela surgiu, espontânea, no papel, eu tive a certeza que ela me era familiar.
Quase certeza que já a vi...
Num espelho.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Only Exception

Maria Eduarda, ou duda, como todo mundo a chamava, tinha apenas sete aninhos quando viu sua mãe jogar malas e malas de roupas do pai pela janela. A mãe, que outrora abraçava e beijava o pai com o que duda achava que era amor verdadeiro, agora estava ao prantos amaldiçoando o amor e a vida a dois.
Depois dessa cena ela passou só ver o pai nos fins de semana, e o nome dele ficava expressamente proibido de ser mencionado perto da mãe, como se dizê-lo pudesse tirar das profundesas todos os demônios mais repugnantes. Duda não entendia o porque daquilo tudo e nunca ousou perguntar, mas ela tinha certeza de uma coisa: O culpado de tudo aquilo era o amor.
Então ela decidiu que isso não aconteceria com ela.
Nunca.
Ela ia beijar, curtir, mas nunca ter um compromisso serio.
E acima de tudo ela nunca iria se apaixonar.
Mesmo meio contra vontade, ela teve seu primeiro namorado aos 16 anos. Mas é lógico que ela não o amou, apenas se divertiu com passagem dele pela vida dela. Entretanto, no fim que ela estabeleceu, ela teve muito trabalho e sofrimenteo inutil para desconquistar o coração daquele menino que ela vertera falsas juras de amor, o que fortaleceu ainda mais sua tese de que o amor não valia a pena.
O que duda não sabia, é que quando ela completasse 18 anos, ela encontraria um garoto charmoso e doce. Que com toda a paciência iria conquistar o coração frio dela e aos poucos a levaria para o altar.
Ela podia ser jovem, inexperiente e fechada para novos sentimentos, mas aquele rapaz provou, de forma quase milagrosa, que ele era o cara certo pra ela. E ela soube reconhecer essa verdade no seu próprio coração. Então ela abriu uma exceção na sua regra de nunca amar.


http://www.youtube.com/watch?v=-J7J_IWUhls

não correspondidos

Ele estava disposto a perdoá-la sempre que ela pedisse. Ele a amava e lutaria por ela até que ela implorasse que ele desistisse.
Ela, entretanto, duvidava se podia se perdoar por ser responsável pelo fim. Sua repulsa a amores platónicos era tão grande que ela não conseguia se ver causadora de um. Todavia, ela tinha absoluta certeza sobre seus sentimentos e isso ninguém - nem ela mesmo, por mais que ela tentasse- poderia mudar.
Mesmo assim, ela tendia a aceitar seus galanteios. Ela não queria que ele desistisse dela, queria seu amor, e acima de tudo queria corresponde-lo. Mas não era possível.
Ela não entendia como a ideia dele desistir dela pudesse causar tanta confusão a sua mente. Ao mesmo tempo que dizer sucessivos "nãos-delicados" era tão desconfortável como a primeira ideia.
Ela estava confusa. E isso era como espinhos no coração dele. E feri-lo também a machucava.
Tudo era estranho e novo.
Era extamante o que ela tinha sonhado, mas na realidade era tudo muito frustrante.
Na teoria, gostar de estar com a pessoa e sentir saudade tinha que convergir diretamente para o amor, mas essa estranha equação da vida real levava a outro resultado que não se confundia com a atração homem mulher que ela esperava.
Essa historia, obviamente, vai ter um fim, porem eu ainda desconheço qual seja.
Provavelmente os dois com novos amores e uma historia, que nem começou, esquecida ou guardada num bauzinho no fundo da mente, onde a gente guarda as lembranças quando elas deixam de ser confusas e passam a ser doces e boas.
Ahh são tantos casais errados a minha volta que eu acabei escrevendo isso...
ariethy (www.fricotando.blogspot.com) e biel (www.embriaguez-literaria.blogspot.com) é meio pra vcs tbm :D espero seus comentarios....

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

as pessoas grandes

Já está mais que na hora de cruzar o limiar e entrar de vez no mundo das pessoas grandes.
Me assusta um pouco deixar de lado meus meninos perdidos e voltar pra casa, mas não posso mas querer ficar eternamente vendo jiboias com elefantes dentro. Sinceramente já não é mais tempo pra isso. Tenho que me acostumar que eu desenho casas, e não carneiros.
A vida é assim, nenhum peter pan vai aparecer na minha janela me convidando pra terra do nunca. E mesmo se aparecer, não existe meninas perdidas não é?
Então, "simbora meu povo" pensar em trabalhar, em ser independente, em sair de casa sozinha, em dirigir sozinha, em me apaixonar pelo cara certo, em ir pra barzinho, em conhecer gente nova... essas cosias que gente grande faz.
Não posso mais ser a garotinha tímida, por que no mundo dos grandes não há lugar pra esse tipo de fraqueza.
Só de pensar nisso me bate um desespero.
Mas eu não tenho escolha, e mesmo se tivesse eu escolheria crescer. Por curiosidade, por instinto, vai saber... mas de certa forma eu quero isso, por mais que me assuste.
E se eu olhar bem... Parce bem mais um chapeu do que uma jiboia.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

depois de ti

Me deu vontade de gritar. De mandar tudo a merda. De explodir em mil caquinhos e escondê-los todos de mim mesma.
Minha mente era pequena demais pra encaixar as peças do jogo. Dizer que ama e me abandonar, dizer que quer e fugir? não parecia fazer sentido.
Eu enojei o requinte de crueldade quando você brincava com os meus caichinhos perguntando se eu pensava em você. Quando você me fazia cobrir-te de elogios para agradar teus caprichos.
Quando me seduzia pra no fim dizer apenas "cansei de ti".
Se não me querias por que me deu esperanças? Se nunca quis amar por que insistia em me fazer amar-te? Por que não me deixou desistir de ti enquanto eu ainda sabia o que estava fazendo?
Sei que talvez não tivesse sido sua intenção parti meu coração. Talvez fosse só seus caprichos de criança mimada. E na maioria das vezes eu te perdoo por tudo isso, embora nem sempre eu consiga ser assim tão firme. Continuo olhando com o mesmo carinho inútil para tua imagem insistente em meus pensamentos.
Se gosto de ti? Muito, porém agora gosto mais de mim mesma para esperar calada resolveres tuas duvidas, para esperar que finjas me amar por pura necessidade. Vou ser feliz no meu próprio caminho, esperando que seu gosto saia de minha boca e as tuas lembranças se tornem meros fantasmas presos em textos passados.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

507

Eu cantarolei a musica que eu estava ouvindo, ignorando totalmente o resto do mundo, enquanto rabiscava alguns planos para o dia num pequeno bloco de anotação.
O balanço do ónibus quase impedia que a letra saísse legível, mas eu não conseguia pensar em coisa melhor para driblar o tédio de um engarrafamento medonho no qual eu me encontrava. E também eu tinha que fugir do olhar curioso do rapaz q sentava no banco a minha frente (aqueles de costas... que ficam cara a cara com os outros passageiros, sabe?) que já estava me deixando inquieta.
"Que musica..." de repente eu vi os lábios dele se mexerem no que parecia ser uma pergunta dirigida a mim. Eu tirei um dos fones e pedi que ele repetisse.
"Que musica você estava escutando?" ele perguntou
"Supermassive black hole" eu respondi curiosa pela pergunta dele.
"Eu também" ele disse meio sorrindo, meio espantado com a coincidência.
E o mais interessante de tudo é que eu não estava ouvindo radio. E pelo jeito, nem ele.
"Gosta de Muse?" eu perguntei iniciando uma animada conversa.
Conversa que durou os 40mim de engarrafamento até o meu ponto. E quando eu fiz menção de sair ele puxou minha cadernetinha e minha caneta e rabiscou o msn e o telefone dele.
E disse, meio tímido "Que tal nos encontrarmos de novo? já sabe onde me achar".
E assim começou minha primeira historia de amor.