segunda-feira, 8 de agosto de 2011

os amigos dele

Os amigos dele me olharam curiosos com se estivessem se perguntando o que ele tinha visto em mim. Como se, apenas com aquele contato inicial, eles pudessem analisar meu ser e descrevê-los nas mais simples palavras. Tolos, me julgavam tão simples.
Eu mal os encarava. Por medo ou vergonha, não sabia. Só ousei levantar os olhos uma vez.
Foi meu garnde erro.
Eu o vi.
Discreto em meio aos outros amigos que me julgavam, ele me olhava com doçura e duvida, como se reprimisse uma verdade que saltava em seus olhos: ele estava totalmente vidrado em mim.
E para meu susto, eu retribuía o olhar. Assim meio de soslaio, totalmente culpada.
Mas não havia como fugir.
Ele, eu ainda não sabia quem ele era, estremecera todas as minhas certezas de anos.
Não era apenas mais um amigo do meu namorado.
Era um alguém pra quem eu nunca deveria ter sido apresentada.
Ele continuou me olhando, como os outros, mas por sorte só eu percebia a diferença.
Não fui rápida o bastante pra desviar meu olhar daqueles inquietantes olhos verdes.
Ele percebeu a recíproca.
Ele então me estendeu a mão.
Eu neguei, pousando os olhos em meu namorado.
Ele não estava prestando atenção.
Me senti traída pela sua ausência.
E por um momento segurei aquela mão traiçoeira que me tentava.
E quando eu percebi, sem que trocássemos caricias ou beijos, eu já o estava traindo.

Um comentário: