segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

dualidades

As lembraças basicamente se dividem em duas: as boas e as reais.
É incrivel como o você subjetivo pudesse ser tão fofo, cavalheiro, gentil e engraçado.
Me fazendo rir e ter orgulho de te exibir como uma grande conquista.
Mas olhando de fora, sem meus óculos cor de rosa, você é como todos os outros. Fragil e com más inensões. Como um garoto entre cem mil outros garotos.
É engraçado como hoje eu vejo que eram só meus olhos. Só meus olhos.
Hoje eu vejo que você, como todo mundo, é homem e lobo (talvez seu homem e meu lobo). Sentimentos e razões, pensamentos em impulsos ao mesmo tempo, numa batalha infinita, onde ao ignorar uma parte eu a fiz mais forte e vencedora.
Seu você em mim não é o mesmo que os outros vêem. Sua vida cruza comigo de uma forma original, perfeita e única.
Assim, sempre terá "meu você" e "outros você" e quem sabe a realidade.
E com as cicatrizes completamente extintas eu rio. E oceano em outras aguas. Em outras vida.

atras da coxia

Nervosa. Era a melhor palavra para defini-la no momento.
Não, não, nervosa não, ela estava ansiosa, não, anisosa não, desesperada...
Os pais dela estariam lá. E o namorado também.
Era a primeira vez que ele iria assistir uma apresentação dela. Não podia dar nada errado, Ela queria brilhar para ele.
Ela vestiu as sapatilhas de ponta e começou ase aquecer. Passou uma dança, outra e mais outra... E o mundo de fantasias danças e cores e dança iam entretendo o publico e aumentando ainda mais a ansiedade dela.
A cortina fechou. Chegou a hora.
Ela entrou no palco e se posicionou.
A luz bateu em seus olhos e a musica começou a tocar. Ela, então, se despiu das inseguranças e se transformou em um ser leve, que acompanhava o ritmo da musica.
O som estava dentro dela e ela voava sob as sapatilhas de ponta.
A luz não deixou ver o publico, ela não viu nem a mãe, nem o pai nem o namorado.
Mas não importava as luzes. Naquela hora quem brilhava era ela.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Meu playlist fala?!

Eu juro, eu ia desistir. E já estava pronta para renunciar a tudo: desistir de você. Eu pararia de tentar falar com você, pararia de arrumar esperanças. Pararia de pensar em você, e de achar que algum dia tudo podia ser diferente. Eu juro, eu estava pronta, e só queria um sinal. Foi quando uma musica tocava no meu playlist: cherry bomb, de “the runaways”, um rock bem, como vou dizer, woww... Tomada pela musica agitada, que fala o tempo inteiro sobre sair e se divertir, esquecer tudo e sair (bom, como a própria musica diz, “Seus sonhos impossíveis não farão você sorrir” e “Levantem-se agora moças, porque vocês não tem nada a perder”), estava pronta para esuqcer de você, dessa vez seria de verdade. Esse era meu sinal. Respirei fundo, e ia começa a falar em voz alta as palavras finais, quando algo aconteceu. A musica trocou. “Você não me deixa ir, me deixe ir hoje à noite”, falava tonight, de lykke li. Eu tive certeza q deveriua te esquecer. A musica parou, a caiza de som tinha parado de funcionar. Eu tentei conserta-la, sem sucesso. Foi quando, depois de um tempo, já tendo desistido de ouvir musica, o som volta, e começo a escutar uma musica baixinha. Aumentei o volume: The call, Regina Spektor… “Eu voltarei quando você me chamar, não há porquê se despedir.” . Eu sorri, me lembrava bem daquela musica. Sempre a amei, de Narnia. “Só porque tudo muda (...) siga a luz”. Eu fechei os olhos, cantando aquela musica. Quando abri os olhos de novo, uma surpresa: alí piscava uma plaquinha do msn. >> ... acabou de entrar, falava: ele havia entrado. Quem sabe ainda não fosse hora de dizer adeus. Sorri, e então tive certeza que aquele era meu sinal.

Bjoss, juuh
vale a pena assistir!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

olhares

O ódio atravessou o espaço entre elas e colidiu contra os corpos femininos que se encaravam. As duas eram amantes de um mesmo homem, mas só uma poderia tê-lo.
E de fato uma o tinha.
O sorriso daquela que possuía aquela pessoa tão estimada era zombeteiro e tripudiava das lembranças tolas da outra.
A força arrebatadora da perda deixava aquela menina tão jovem fraca e incapaz de outro sentimento além da raiva. Ela mal podia fitar a outra nos olhos.
Porém era desconfortável também para aquela que tinha tudo nas mãos. Pois causar tamanha dor aquela menina partia também seu coração.
Mas era preciso que fosse assim.
Sofrer por algo que já não era mais seu tinha sido uma escolha tola da menina. Ela nada tinha a ver com isso. O menino era feliz com ela, tinha o amor que aquela garotinha nunca daria igual.
Mas, o fato era que a dor de uma era necessária para a felicidade da outra.
Então a garota olhou mais uma vez par aquela que a odiava.
Revestiu-se de uma indiferença e apagou os resquícios de piedade. Tanto para se proteger do ódio que a outra emanava, quando para rir-se de sua própria sorte. E por um momento, insano talvez, ela se deliciou com a desgraça alheia que realçava tanto a sua própria sorte.
E a outra? E a outra só murchava.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cena de um sonho

Eu era criança e estava brincando com minhas amigas. Era estranho por que eu não as via a muito tempo, mas seus rostos estavam bem nítidos na minha mente.
Eu brincava de roda. E as mãozinhas delicadas delas tocavam nas minhas. Era doce e divertido.
Eu pisquei.
De repente as pequenas mãozinhas que eu segurava se tornarão maiores.
Eu não era mais uma menininha. Era uma moça. E segurava a mão de um rapaz.
Ele era bonito. Eu podia sentir, mas eu não podia ver seu rosto. Eu só sentia o toque de suas mãos macias entrelaçando-se nas minhas.
Ele tomou minha mão direita e enquanto brincava com meus dedos foi passando as costas das mãos em meus braços nus.
Em poucos segundos, que pareceram eternos, ele me puxou pra mais perto.
E nossas mãos se entrelaçaram e ficamosmuito perto um do outro. Como numa dança antiga nossas mãos se tocaram espelhando-se e eu o fitei dentro dos seus olhos negros.
Eu podia vê-lo agora. Ele era lindo.
Seus cabelos castanhos que caiam sobre a testa e ele tinha um sorriso que me lembrava os desenhos animados que eu via quando criança... Proporções perfeitas e uma pele morena sem nenhuma marca.
Ele parecia um anjo.
As mão deles largaram as minhas e se alojaram no meu pescoço. Ele acariciou de leve meu rosto e brincou com os cachinhos do meu cabelo. Minhas mãos também tocaram aquele rosto lindo.
"Qual seu nome?" eu sussurrei baixinho no ouvido dele.
"Raphael..... à l'air d'un ange" Carla Bruni cantou no toque de despertar no meu celular.
Eu acordei

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

apresentando ele aos meus pais....

Ele entrou em casa, cumprimentou minha mãe. Ela logo gostou dele. Óbvio, com aquela cara de menino alegre e aqueles cabelinhos cacheados parecendo um anjinho barroco quem não iria adorá-lo? Ele veio até a mim e me cumprimentou.
Dois beijinhos. Como se tivéssemos intimidade!
Minha irmã faceira do lado dele exibia uma imensa aliança de compromisso.
Ela já tinha conseguido seu Romeu. E eu, dois anos mais velha, sozinha assistindo a cena.
Novidade!
Ela era bonita e conhecia todo mundo. Era o xodó da família.
Sempre ela. A melhor em matemática, a que escrevia melhor, a que dançava melhor, a que saia mais, a que namorava mais, a que brilhava mais. E eu sempre só a irmã da toda poderosa.
Por que ela não se contentava com isso? ela ainda tinha que namorar o garoto mais cobiçado do colégio?
Meus olhos brilhavam sobre eles e eu os invejei no meu invólucro de solidão.
Naquele momento eu não sabia mas, eu namoraria outros rapazes, porém sempre o dela me pareceria melhor.
E de tanto eu desejar, um dia eles se separariam e eu invejaria a força dela ao esquecê-lo. E ele viria até a mim, como segunda opção. Mas eu não ia querer, não tinha mais sentido já que ele não era mais dela.
E eu, inconscientemente, segui a vida me alimentando da felicidade alheia, sem nunca ter me dado conta da minha própria felicidade.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

acordar

"Você é livre" sussurrou uma voz em minha mente
"Faça suas escolhas" a voz continuava, implacável.
"Você é responsável por elas." e eu me encolhi agarrando meu travesseiro
"Você é grandinha, já tem maturidade pra entender as consequencias."
"Cresça menina! Cresça e trilhe seu caminho."
Eu não queria ouvir mais, mas ela não ia parar.
"Cresça e adivinhe o resultado de suas escolhas."
"Você é livre pra escolher." e um sorriso irónico brotava de um rosto imaginário.
"Você é livre por que você é grande." e ele ria de mim
"Você é livre pra se arrepender e pra decepcionar aqueles que vc ama."
Ela não ia parar...
"Você não pode mais se proteger no colo na mamãe... você está sozinha..."
Eu tentava fugir mas a voz ainda ecoava em minha mente.
"Menina, não fuja de mim"
"Olhe a sua volta, menina. O tempo passa. Você não acha que já passou da hora de aprender?"
"Você é uma mulher, Menina! levante e viva"
Eu acordei e olhei em volta: Não havia nada pra viver.
Resignada, eu voltei aos meus 13 anos.

@bellapellegrini